da tua pele trespassada pelo comboio das seis e meia.
apenas um torpor macio contra o vidro da tarde
ainda a meio.
não sei porque te procuro entre a cinza
dos dias cansados de ser verão.
talvez a sombra de um teu não estar
- lençol nítido de pedra sobre o rio -
seja apenas nos meus olhos. num meu
acordar mais cedo do que devia. sempre um
chegar antes
do grito dilacerante das embarcações
antes da sentinela ausente das marés
contemplando a liquidez calada dos bancos
infectos de sono
infectos de sono
enquanto esperam o próximo feriado
para não vir gente.
se te odeio é porque
a tua carne em espelho só sabe
devolver-me a ternura e a estranheza
da minha boca cravando os dentes
os ásperos ossos caninos sem rutilância
por dentro dos cimentos.
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