morro
parto à primeira pedra
cuspida da janela de um táxi
que ronde entrecampos
no ziguezague furioso das antenas
a curva a máquina mesquinha explode em penas
o retiro insuflado do velho embriagado
entre os girassóis sob o fumo
plácido anímico dos urinóis
e por detrás dos óculos de sol
encavalitados na espera
morro
velho de babugens tão pouco selectas
a barba rala branca ruga rega a escala
do infinito horizonte dos teus escapes
sobe a falésia das ruas até ao sol
que nos remate mas
se morro
se venho beber a modorra do café às horas certas
porque não vêm também com as aldrabas
as correntes as perseguições as metamorfoses
as agulhas empoleiradas no teu acetinado crer de
fim-de-semana passado. um passeio um gelado
uma rotação ao fim da tarde
a rotunda vazia cospe as setas
meu amor olha a virilha o vinco das calças em tremor
a apoteose da carburação periclitante
trepida por mim acima vai
monstro sentado no banco só ao centro
um corpo sem copo morto abandonado
morno como o dia foi rápido
e agora sento-me à jangada tua
espera de veleiros tem já
consumada uma hora no tecto astral das nucas
e abraço a saliva dos sapatos que te embainharam
a tez. morro. pedaço de pele rejeitado.
mas sem tretas poéticas
de mais tempo que foge do que o que eu escarro
que isso
é só mais chuva sobre o molhado
sou só eu como quem esfrega da alma um eterno sarro.
segunda-feira, 24 de março de 2014
sábado, 22 de março de 2014
segue a mensagem selada
crescendo nas mãos
uma voz incendiada
mais vil que a pluma
cospe a cruz das sentenças
adorna a orla dos caminhos
com a metástase florida
dos caules de lepra.
uma idade humedecida
a filtros repisados sob o teu
nome. a fresta crestante
dos teus cabelos
saliente na dobra da crença .
agudo trai o que escuro sente
cisma no canto obsediado
da animalidade jacente
onde já tudo fende onde
já a lâmina ao fundo da mala
lambe a lânguida vastidão
da crina amarelada da alma.
relâmpago não molestado
p'la ironia da letra rutilante
faz o gesto suja a brandura do lábio
até que a língua estale o seu arremesso
derradeiro a morte na latada suja
despeja a salmodia dos rechaçados.
a palavra ondeia
gritante
sob a retalhada telepatia
dos telhados.
uma voz incendiada
mais vil que a pluma
cospe a cruz das sentenças
adorna a orla dos caminhos
com a metástase florida
dos caules de lepra.
uma idade humedecida
a filtros repisados sob o teu
nome. a fresta crestante
dos teus cabelos
saliente na dobra da crença .
agudo trai o que escuro sente
cisma no canto obsediado
da animalidade jacente
onde já tudo fende onde
já a lâmina ao fundo da mala
lambe a lânguida vastidão
da crina amarelada da alma.
relâmpago não molestado
p'la ironia da letra rutilante
faz o gesto suja a brandura do lábio
até que a língua estale o seu arremesso
derradeiro a morte na latada suja
despeja a salmodia dos rechaçados.
a palavra ondeia
gritante
sob a retalhada telepatia
dos telhados.
domingo, 9 de março de 2014
domingo de pijama
emudecida casa
arejada nas pontas dos cabelos
pelos retratos de uma neblina
pretérita sempre entre os
lábios o fungo iridiscente
cria a seiva dos novelos.
bebe das horas
a luz mais escassa
e contempla a fachada
das avenidas inundadas
até ao cotovelos. imagina
um rio só feito de crepúsculos
ardente à hora certa
de um adeus.
eternizou-se
num sábado tardio talvez
domingo espectral
onde o cinzento petrifica
a sílaba farta. o chá arrefece
abraçado às unhas da espera
e um cheiro senil inflama
a camada gorda de luto
na vidraça.
arejada nas pontas dos cabelos
pelos retratos de uma neblina
pretérita sempre entre os
lábios o fungo iridiscente
cria a seiva dos novelos.
bebe das horas
a luz mais escassa
e contempla a fachada
das avenidas inundadas
até ao cotovelos. imagina
um rio só feito de crepúsculos
ardente à hora certa
de um adeus.
eternizou-se
num sábado tardio talvez
domingo espectral
onde o cinzento petrifica
a sílaba farta. o chá arrefece
abraçado às unhas da espera
e um cheiro senil inflama
a camada gorda de luto
na vidraça.
sábado, 8 de março de 2014
[os meses acenam-te sorridentes
entre a flutuação nauseada dos ferryboats]
e dizes
tem dias
que desabam violentos
numa enxurrada
de manhãs graníticas.
a aspereza imaculada
dos linhos silvando à luz morna
do teu nome.
e dizes
nunca há nada
(só temos mesmo os dentes
para engolir.) mas
a tepidez dos gerânios já brota
num murmúrio de vizinhas solitárias.
e a roupa já seca
entre os dois dedos amputados
à conversa.
a trepidação dos eléctricos-fantasma
à cunha no ângulo mais morto desta rua é um
fonema
a rasgar o carril da língua.
e dizes
porém
as costas calam o abraço
de um frio mais perene.
e não acharemos tão cedo
- só queira sempre deus nunca -
o sentido da propulsão das veias.
entre a flutuação nauseada dos ferryboats]
e dizes
tem dias
que desabam violentos
numa enxurrada
de manhãs graníticas.
a aspereza imaculada
dos linhos silvando à luz morna
do teu nome.
e dizes
nunca há nada
(só temos mesmo os dentes
para engolir.) mas
a tepidez dos gerânios já brota
num murmúrio de vizinhas solitárias.
e a roupa já seca
entre os dois dedos amputados
à conversa.
a trepidação dos eléctricos-fantasma
à cunha no ângulo mais morto desta rua é um
fonema
a rasgar o carril da língua.
e dizes
porém
as costas calam o abraço
de um frio mais perene.
e não acharemos tão cedo
- só queira sempre deus nunca -
o sentido da propulsão das veias.
sexta-feira, 7 de março de 2014
a luz escoa-se
pelo ralo mais sujo da sonolência.
vai-se um rio vão-se
as casas nele e a memória sorridente
acenando em fotografias
unicamente
póstumas. um bracinho
alvo descobre-se por entre
um céu de lodo.
cumprimenta diz o seu adeus
acostumado chama aos pardais
os nomes que lhes roubaram
e por fim desaba nas gangrenas mais
finas mais lúcidas mais
horizontais.
alguém lhe contempla o ajuste de contas
com o destino. vêem-se larvares
louvores à criança
desmanchada.
só entulho nas línguas de quem espera.
só uma pedra abocanhada inteira
na candura dos exegetas.
um verso desflora em corrimento solto
de manhãs supuradas
e sabemos
aqui só uma mão que rasgue a face das estrelas.
pelo ralo mais sujo da sonolência.
vai-se um rio vão-se
as casas nele e a memória sorridente
acenando em fotografias
unicamente
póstumas. um bracinho
alvo descobre-se por entre
um céu de lodo.
cumprimenta diz o seu adeus
acostumado chama aos pardais
os nomes que lhes roubaram
e por fim desaba nas gangrenas mais
finas mais lúcidas mais
horizontais.
alguém lhe contempla o ajuste de contas
com o destino. vêem-se larvares
louvores à criança
desmanchada.
só entulho nas línguas de quem espera.
só uma pedra abocanhada inteira
na candura dos exegetas.
um verso desflora em corrimento solto
de manhãs supuradas
e sabemos
aqui só uma mão que rasgue a face das estrelas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)