morro
parto à primeira pedra
cuspida da janela de um táxi
que ronde entrecampos
no ziguezague furioso das antenas
a curva a máquina mesquinha explode em penas
o retiro insuflado do velho embriagado
entre os girassóis sob o fumo
plácido anímico dos urinóis
e por detrás dos óculos de sol
encavalitados na espera
morro
velho de babugens tão pouco selectas
a barba rala branca ruga rega a escala
do infinito horizonte dos teus escapes
sobe a falésia das ruas até ao sol
que nos remate mas
se morro
se venho beber a modorra do café às horas certas
porque não vêm também com as aldrabas
as correntes as perseguições as metamorfoses
as agulhas empoleiradas no teu acetinado crer de
fim-de-semana passado. um passeio um gelado
uma rotação ao fim da tarde
a rotunda vazia cospe as setas
meu amor olha a virilha o vinco das calças em tremor
a apoteose da carburação periclitante
trepida por mim acima vai
monstro sentado no banco só ao centro
um corpo sem copo morto abandonado
morno como o dia foi rápido
e agora sento-me à jangada tua
espera de veleiros tem já
consumada uma hora no tecto astral das nucas
e abraço a saliva dos sapatos que te embainharam
a tez. morro. pedaço de pele rejeitado.
mas sem tretas poéticas
de mais tempo que foge do que o que eu escarro
que isso
é só mais chuva sobre o molhado
sou só eu como quem esfrega da alma um eterno sarro.
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