emudecida casa
arejada nas pontas dos cabelos
pelos retratos de uma neblina
pretérita sempre entre os
lábios o fungo iridiscente
cria a seiva dos novelos.
bebe das horas
a luz mais escassa
e contempla a fachada
das avenidas inundadas
até ao cotovelos. imagina
um rio só feito de crepúsculos
ardente à hora certa
de um adeus.
eternizou-se
num sábado tardio talvez
domingo espectral
onde o cinzento petrifica
a sílaba farta. o chá arrefece
abraçado às unhas da espera
e um cheiro senil inflama
a camada gorda de luto
na vidraça.
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