a luz escoa-se
pelo ralo mais sujo da sonolência.
vai-se um rio vão-se
as casas nele e a memória sorridente
acenando em fotografias
unicamente
póstumas. um bracinho
alvo descobre-se por entre
um céu de lodo.
cumprimenta diz o seu adeus
acostumado chama aos pardais
os nomes que lhes roubaram
e por fim desaba nas gangrenas mais
finas mais lúcidas mais
horizontais.
alguém lhe contempla o ajuste de contas
com o destino. vêem-se larvares
louvores à criança
desmanchada.
só entulho nas línguas de quem espera.
só uma pedra abocanhada inteira
na candura dos exegetas.
um verso desflora em corrimento solto
de manhãs supuradas
e sabemos
aqui só uma mão que rasgue a face das estrelas.
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