e depois da tempestade
venha o encanto dos melismas
à meia luz das arcadas
estende-se o reflexo de um lençol
sonoro sob as pálpebras
de um fauno.
a foice corta os dias
neste contraste de chama acesa.
através do olho quase negro
rasga-se uma brusquidão de poço sagrado.
jacente sob os folhos da indolência
contempla-nos o chão rutilante dos oceanos.
a metade vazia
do teu peito chegado aos
sobre-humanos aromas da tinta apodrecida
tão fresca no martírio dos poetas
aflora a queda. dá-lhe um sentido
mais perene
até que findam as estações
e a humidade dos nossos corpos
sangra um novo silêncio.
suspende-se o grito das rosas
(a boca atulhada de pétalas e fonemas)
para sobrar apenas
num qualquer canto agoniado
a convulsão regurgitando
sumo espesso e estranho de outros olhos.
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