cresce-te na garganta um espinho novo
- rosáceo emblema dos noctívagos catarros -
no parasitário desfolhar da voz emerge
a foice negra que há-de dar de beber
aos mortos.
vais à janela em aflição tentacular
sofrer para que outros te sofram
tua imensa ternura pelo verso livre e escorreito
que seja cuspo sobre o intrincado fulgor
da azulejaria patriarcal da doxa.
mas vê: verte mundo inteiro nessas vidraças
um líquido mestiço de orgãos ainda palpitantes
que já antes de ti se aspergiram do mal
estar mundano das insalubridades
pequenas do pequeno quotidiano.
vamos levanta a centelha
queima a fonte dos penedos
a garganta onde está ela
que te morra que se te esfole
nos verticais gumes do lótus vermelho
arranca a pele bem devagarinho
pelas unhas finais da imanência.
agora só um clarear sonoro à porta
a prolongar pelas avenidas e transversais
o sorriso hialino do teu féretro desfeito.
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