aperta-se um ombro contra um ombro
uma sombra mais densa incendeia-lhes os sulcos
e circula entre o hálito côncavo a mesma
eterna solidão.
faz-se uma madrugada da sujidade dos passeios
da negligência dos mortos às esquinas.
a nossa única verdadeira mão corroída ao ar frio
de um deserto de avenidas
inunda-se de campos de lírios
à passagem da lágrima mais retraída
o fervor do sangue oratório
palpitante sobre a benção dos cortes
que o meu olho estala
sobre os lábios só
um diluído desejo deles
através do véu nítido das arcadas
vultos que me contornem os dedos
calados na demasia de uma hora negra
bebida com o parto do verbo.
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