sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Canção de Roda dos Sabás Triunfais a Nosso Senhor das Chagas de Sebo Divino

[verso ricercato]

regresso intra-uterino
às vagas imensas de janeiro
um som de lábio púrpura a beijar
o esgoto do meu coração vertido
sobre o teu colo dilatado
na sonâmbula embriaguez da noite.

este o meu arquejo:
a punção libertina de chofre
o atrito fruitivo das orgias regulares
um suor sempre anterior
pulsando límpido e cálido
na corrente triste das madrugadas

simétrica sobre mim a mais venal sombra
e no rosáceo descarnar das apneias suspendo:
os becos escuros penetram-me os poros
a minha cara a de outros tantos
uma única universal seiva escorre
da entumecida narina do amor.

[refrão]
cantemos o cuspo ensaguentado
a cumprir os intertícios da calçada.
é lá o nosso olho reflexo. lá a turba gestante
do nosso arder.

[no plano superior: campos de asfódelos até onde
termine a cançoneta]

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