1.
vamos ao encontro dos mártires
prender-lhes as mãos os cabelos
a pele rasgá-la com um beijo
partir-lhes os pés os tornozelos
debruar-lhes as bocas
da prata corroída do vício
abraçar-lhes no reverso do vértice
a doçura enegrecida do silício.
//
2.
um entretanto
distância apenas lúbrica dos nossos
intervalos desfeitos
agarra a chama
morde-a até ao sangue
até onde o lábio verta
mais negro mais
incompleto o fundo do silêncio
o estalar comprido
do eterno penetrar do espelho.
//
3.
regressamos à noite
ao amor estéril dos gumes insaciados
ao odor das fricções dos anjos
à súmula da carne das estrelas
gemendo um brilho sujo e violento
que nos vaze os dois olhos
o grito fascinante do arame revigorado
silvando na noite a animalidade pestífera
do arquejo.
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