dá-me um céu azul que adivinhe uma nova madrugada fria
uma que seja diferente desta sempre minha
um retrato a cair no esboço
a cair no aborto do bolor e do precipício
o vidro da janela lascado
pela intempérie das manhãs de silêncio
minhas pedras meus caminhos de chagas e peditórios
meus alvéolos de supra redenção a ecoar o morto
dêem-me um novo crepitar de chama latente
um odor plácido a podre e justo
um querer enorme de valorosos homicídios
uma faca para matar este gume.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
das ist mein ende.
lia-se em todas as placas da vila
e
olhando em retrospectiva
todas as janelas das traseiras dos prédios continham a chama específica
do rumor de cortinas em espera
uma ânsia de serem abertas e violadas
pelos olhares silenciosos dos vizinhos.
pedia-se-lhes um pouco de compaixão um pouco de
carinho só isso
às janelas dos outros.
porém
a chuva condenava-nos à partida
aos mapas luminosos das florestas
às cartas amontoadas sobre os lençóis
à dúvida de um sonho a rasgar a raiz
saliente na nossa boca.
tudo uma questão de mãos
umas mais longínquas que outras
a deixarem no arremesso do tempo
apenas a marca da gordura nos vidros negligentes.
do lado de cá
alguém que conduza de noite e se depare com o teu sorriso na treva.
a beleza dos corpos esquartejados.
a lonjura dos ciprestes e os teus cabelos.
um nó de secura na garganta. e porém tu
saberias sempre dar a entoação correcta
ao latim das arcadas. tudo isto que vejo
tudo isto é a cor da estação já percorrida
da folha caduca de centro de mesa
da túlipa podre a contemplar a derrota
embebida no luminoso raio último da fronteira
tudo na água turva do dia cumprido
já uma corola de pétalas despedaçadas
um suspiro de semente esmagada
um ronco de estômago trespassado de úlceras
uma viagem ao centro hemisférico dos umbigos
antes da meia noite meia cidade levitada já um
ferver de sebes em quimera.
das ist mein ende
(a felicidade come as sobras abruptamente
______________algo que rebente)
lia-se em todas as placas da vila
e
olhando em retrospectiva
todas as janelas das traseiras dos prédios continham a chama específica
do rumor de cortinas em espera
uma ânsia de serem abertas e violadas
pelos olhares silenciosos dos vizinhos.
pedia-se-lhes um pouco de compaixão um pouco de
carinho só isso
às janelas dos outros.
porém
a chuva condenava-nos à partida
aos mapas luminosos das florestas
às cartas amontoadas sobre os lençóis
à dúvida de um sonho a rasgar a raiz
saliente na nossa boca.
tudo uma questão de mãos
umas mais longínquas que outras
a deixarem no arremesso do tempo
apenas a marca da gordura nos vidros negligentes.
do lado de cá
alguém que conduza de noite e se depare com o teu sorriso na treva.
a beleza dos corpos esquartejados.
a lonjura dos ciprestes e os teus cabelos.
um nó de secura na garganta. e porém tu
saberias sempre dar a entoação correcta
ao latim das arcadas. tudo isto que vejo
tudo isto é a cor da estação já percorrida
da folha caduca de centro de mesa
da túlipa podre a contemplar a derrota
embebida no luminoso raio último da fronteira
tudo na água turva do dia cumprido
já uma corola de pétalas despedaçadas
um suspiro de semente esmagada
um ronco de estômago trespassado de úlceras
uma viagem ao centro hemisférico dos umbigos
antes da meia noite meia cidade levitada já um
ferver de sebes em quimera.
das ist mein ende
(a felicidade come as sobras abruptamente
______________algo que rebente)
sábado, 11 de janeiro de 2014
as nuvens sob o teu pescoço
as nuvens a atravessarem o teu pescoço
as nuvens a prenunciarem a tempestade dentro do teu pescoço
as nuvens a firmarem o pacto do ódio entre as paredes do teu pescoço
as nuvens a murmurarem a peste expulsa do teu pescoço
as nuvens a comerem o resto as sobras a roupa velha do teu pescoço
as nuvens a sugarem o teu rosto sem pescoço para dentro dos nevoeiros sem espécie.
ficaste
cabeça deitada hirta snobe isolada desgrenhada profundamente aérea
sobre a floresta muda vesga cega telepaticamente antípoda da distância
a contemplar sombrio corpo de braços abertos na ânsia dos prados a leste.
da casa
todos te contemplam o martírio.
é a nossa companhia diária o olho da virgem que nos persegue
o olho branco aquele mais redondo aquele mais aberto aquele só o que paira
é a nossa companhia.
as nuvens a atravessarem o teu pescoço
as nuvens a prenunciarem a tempestade dentro do teu pescoço
as nuvens a firmarem o pacto do ódio entre as paredes do teu pescoço
as nuvens a murmurarem a peste expulsa do teu pescoço
as nuvens a comerem o resto as sobras a roupa velha do teu pescoço
as nuvens a sugarem o teu rosto sem pescoço para dentro dos nevoeiros sem espécie.
ficaste
cabeça deitada hirta snobe isolada desgrenhada profundamente aérea
sobre a floresta muda vesga cega telepaticamente antípoda da distância
a contemplar sombrio corpo de braços abertos na ânsia dos prados a leste.
da casa
todos te contemplam o martírio.
é a nossa companhia diária o olho da virgem que nos persegue
o olho branco aquele mais redondo aquele mais aberto aquele só o que paira
é a nossa companhia.
os meus ossos os deixo sob as águas do Lete
sempre fomos de esmagar a pureza dos ninhos.
atacá-los com fisgas primeiro
depois subir às árvores e arremessá-los pelo vento
mais tarde já tínhamos uma fome diferente
e abocanhávamos os ovos e as crias
até que um dia não tínhamos mais ninhos
e só já sabíamos abocanhar as próprias mãos
num desejo ávido de um aborto prematuro.
ainda não acontecera a escrita
já a silenciáramos.
atacá-los com fisgas primeiro
depois subir às árvores e arremessá-los pelo vento
mais tarde já tínhamos uma fome diferente
e abocanhávamos os ovos e as crias
até que um dia não tínhamos mais ninhos
e só já sabíamos abocanhar as próprias mãos
num desejo ávido de um aborto prematuro.
ainda não acontecera a escrita
já a silenciáramos.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
drones III
a quinta perfeita
rasga-te o cérebro.
sémen da terra
a inundar os dias do exílio.
agita-se a flora
sempiterna ao redor
do vazio dos olhos.
partimos. a estrada começa
antes de nós.
a chuva
um decalque de vidro nos ossos
um corte de luz a cindir os lábios.
bebemos. a nuvem explode
antes de nós. a janela aberta
as escadas mortas. sentado em
cadáver de inverno. fronte matinal
de sangue pastoso. vem sai à rua
lambe as primaveras.
seguimos. o organum
fere a catedral. mãos à nuca.
finjamos.
antes de nós.
rasga-te o cérebro.
sémen da terra
a inundar os dias do exílio.
agita-se a flora
sempiterna ao redor
do vazio dos olhos.
partimos. a estrada começa
antes de nós.
a chuva
um decalque de vidro nos ossos
um corte de luz a cindir os lábios.
bebemos. a nuvem explode
antes de nós. a janela aberta
as escadas mortas. sentado em
cadáver de inverno. fronte matinal
de sangue pastoso. vem sai à rua
lambe as primaveras.
seguimos. o organum
fere a catedral. mãos à nuca.
finjamos.
antes de nós.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
then I had to leave you
casa vazia
jogo de luzes às sete e meia
boca aberta para estática da tv
meio quilo de farinha no chão
osmose de restos de fruta e sangue
lágrimas no sangue
o último a entrar que feche
as cortinas a porta
voou
como o silêncio
uma mortalha sobre a poltrona nua
logo se chora o faqueiro destruído.
fica para depois
um dia para penetrar a ombreira
outro em que não chova tanto.
talvez já hajam ninhos
talvez já os matem à caçadeira.
jogo de luzes às sete e meia
boca aberta para estática da tv
meio quilo de farinha no chão
osmose de restos de fruta e sangue
lágrimas no sangue
o último a entrar que feche
as cortinas a porta
voou
como o silêncio
uma mortalha sobre a poltrona nua
logo se chora o faqueiro destruído.
fica para depois
um dia para penetrar a ombreira
outro em que não chova tanto.
talvez já hajam ninhos
talvez já os matem à caçadeira.
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