sábado, 18 de janeiro de 2014

das ist mein ende.
lia-se em todas as placas da vila
e
olhando em retrospectiva
todas as janelas das traseiras dos prédios continham a chama específica
do rumor de cortinas em espera
uma ânsia de serem abertas e violadas
pelos olhares silenciosos dos vizinhos.
pedia-se-lhes um pouco de compaixão um pouco de
carinho só isso
às janelas dos outros.
porém
a chuva condenava-nos à partida
aos mapas luminosos das florestas
às cartas amontoadas sobre os lençóis
à dúvida de um sonho a rasgar a raiz
saliente na nossa boca.
tudo uma questão de mãos
umas mais longínquas que outras
a deixarem no arremesso do tempo
apenas a marca da gordura nos vidros negligentes.

do lado de cá
alguém que conduza de noite e se depare com o teu sorriso na treva.
a beleza dos corpos esquartejados.
a lonjura dos ciprestes e os teus cabelos.
um nó de secura na garganta. e porém tu
saberias sempre dar a entoação correcta
ao latim das arcadas. tudo isto que vejo
tudo isto é a cor da estação já percorrida
da folha caduca de centro de mesa
da túlipa podre a contemplar a derrota
embebida no luminoso raio último da fronteira
tudo na água turva do dia cumprido
já uma corola de pétalas despedaçadas
um suspiro de semente esmagada
um ronco de estômago trespassado de úlceras
uma viagem ao centro hemisférico dos umbigos
antes da meia noite meia cidade levitada já um
ferver de sebes em quimera.
das ist mein ende
(a felicidade come as sobras abruptamente


______________algo que rebente)


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