as nuvens sob o teu pescoço
as nuvens a atravessarem o teu pescoço
as nuvens a prenunciarem a tempestade dentro do teu pescoço
as nuvens a firmarem o pacto do ódio entre as paredes do teu pescoço
as nuvens a murmurarem a peste expulsa do teu pescoço
as nuvens a comerem o resto as sobras a roupa velha do teu pescoço
as nuvens a sugarem o teu rosto sem pescoço para dentro dos nevoeiros sem espécie.
ficaste
cabeça deitada hirta snobe isolada desgrenhada profundamente aérea
sobre a floresta muda vesga cega telepaticamente antípoda da distância
a contemplar sombrio corpo de braços abertos na ânsia dos prados a leste.
da casa
todos te contemplam o martírio.
é a nossa companhia diária o olho da virgem que nos persegue
o olho branco aquele mais redondo aquele mais aberto aquele só o que paira
é a nossa companhia.
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