quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

o travo de uma sombra imensa
descente pelo rasto dos cabelos
do último mês do último estio
da língua defunta onde brota a flor
na ânsia da razia
de um golpe de asa
mais longe mais frio
o que nos esqueça o baque da voz amena.

tão só sentimos a carne aquosa
do nosso querer tanto
dos demónios soltos em diálogos
de rua deserta.

onde eram capilares veias crepitantes da matéria
densa do nosso ofício expectante
hoje o néctar vitríolo das arestas.
só a sede nos esgota
a
livre putrefacção de que bebe este rio.

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