o que nos falta
dentro do olhar?
lembro-te
e a palavra perece súbito
para retornar a distância
o entretanto da tua espera
a condolência dos dias
amanheceres esguios, vitríolos
agarrados aos interstícios das conversas.
sobra-te uma alma limpa
um tempo a galgar os requebros.
de que me serves
se te mato e te salvo
com o ardor de um bocejo?
dias para te ansiar
para te dar o nome
para te ver partir.
o que nos falta ao olhar
a imensidão das sebes?
o vento que as suba que as dispa que as disponha
no teu horizontal travestido
a tua floresta de barroco ateu
a carne pristina
sublime lascívia dos amplos espaços
um teu outro
a ocupar a seiva das horas
que tanto me cospem. tanto me cingem.
tanto me aspergem
das tuas mãos o encontro
insatisfeito.
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