os dias de chuva são teus
todos
:
no beber letárgico das paredes húmidas
na beleza voraz dos troncos aprodecidos
na inquieta predestinação dos nevoeiros de bolor
esse cheiro
do mofo dos abraços negros
à manhã desolada
o raquitismo
dos nossos dedos de cotão
embrenhados nesse cavo sentir do corte
o sítio manifesto das penas
resíduo abstracto de um inverno mais outro
mais denso entre os dentes
a língua e o hálito
barométrico das pulsões
roendo-me a carne
o toque da unção.
escrevo-te a carta que me sofra
o último adeus
tanto que isso basta.
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