porque nos enterraremos de novo no lodo
até as bocas se fenderem num gemido lúcido
e só sobrarem os crânios rapados imersos
imensos infectos indefesos
essa triste nossa última união
para tudo isso há um tempo e uma razão
mas os meus cortes não são feitos já dessa miséria
não jorra apenas deles o pus ulcerado das manhãs
a ferida cancerosa dos sóis pueris de janeiro
tudo no olhar tudo
menos a tristeza do mundo
o lacrimae rerum adivinhado
a carta ansiosa de tremores nocturnos
satisfações silenciadas num arfar de divãs
tudo menos isso
o sufoco doentio dos dedos entrelaçados
mão mergulhada em sal
mudez granítica
de fim de espécie.
entre nós morre o pária
infinitamente deslocado
do apodrecer da sua mortalha.
de que lhe vale no fim
o eco vazio da casa
o sussurro degolado dos espelhos?
Sem comentários:
Enviar um comentário