meteoro de uns olhos roubados
à criança em chamas
//
em si mesmo o retrato
contra o azul da casa violada
onde já tudo descansa onde
haja um barco que leve
das bocas que morrem a distância
até um mais cálido
adeus precipício de vida.
//
reparei teria talvez
doze dias de morte por contemplar
a meus pés a jangada de uma cidade sobre
a bruma e uma extensão de ombro
a ser a tua
arrojada tentativa para o convite
da mordaça. como sarna
arranhei-me até despir as unhas
da pele da tua sombra.
onde ficámos?
precisamente no contorno dos diluviais tédios de sexta.
rebentam-nos as paredes do estômago
ardem-nos com a sua ressonância de piano submerso
são o ravel triste a carpir
sou um louco sou um louco
e isto é somente um punhado de nada
sou um louco sou um louco
e que me abram a cabeça e a esvaziem
contra um tejo emprenhado da merda das civilizações
contínuas. que me una
que me unte desses urros febris das gaivotas
graças divinais da escória
meu escarro de madrugada abrupta
sol de cipreste morno-frio que o canto suspende.
avé ligações marítimas entre as margens não tão espaçadas
a minha desgraça a minha contemporaneidade
esmagada em arremesso à decantação dos passeios.
júbilo
algo que se desfaça.
Sem comentários:
Enviar um comentário