[os meses acenam-te sorridentes
entre a flutuação nauseada dos ferryboats]
e dizes
tem dias
que desabam violentos
numa enxurrada
de manhãs graníticas.
a aspereza imaculada
dos linhos silvando à luz morna
do teu nome.
e dizes
nunca há nada
(só temos mesmo os dentes
para engolir.) mas
a tepidez dos gerânios já brota
num murmúrio de vizinhas solitárias.
e a roupa já seca
entre os dois dedos amputados
à conversa.
a trepidação dos eléctricos-fantasma
à cunha no ângulo mais morto desta rua é um
fonema
a rasgar o carril da língua.
e dizes
porém
as costas calam o abraço
de um frio mais perene.
e não acharemos tão cedo
- só queira sempre deus nunca -
o sentido da propulsão das veias.
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