se pudesse ajustar contas com os ponteiros
diria:
aquela hora. aquela
hora em que acordei demasiado cedo.
ainda sem fome. ainda sem medo.
ainda só o meu corpo
a rondar as janelas para um tempo mudo.
uma chuva a ameaçar
um caminho dentado enorme de dias
só de manhãs.
um meio corte nos dedos
frouxos das meias horas
feitas só de um resto
de um vício de um canto de prato
de um tapete de cigarros mal apagados
fendidos no ponto mais correcto.
a fulminar a humidade dos passeios
pés tortos perdem-se enquanto
são só sete e pouco e ainda ninguém vê
a cara triste medonha dos prédios
à pinha de sono cinzento.
este estranho nojo sem estômago
sem lábios nem olhos encaixados
esta forma de dizer bom dia às coisas
mais silenciosas
que preparam uma digestão rouca de caminhos
por findar.
este ritmo de monge cego
que lambe com o vagar certo
a secura doce e tremenda
da sombra dos espinhos.
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