diz-me
há um dia prateado que começa
por detrás dos teus olhos
e sinto-lhe a distância.
daqui todas as coisas
soam ao negro.
é como se me fechasse
dentro do próprio sentir das esferas
num registo etéreo de fim-dos-dias
antes
do fim-de-semana prolongado em que
saí e fui à deriva ter com
esses teus olhos sem freio
como se a estrada fosse a tua língua
a levar-me até ti
naquele dia último
em que um horizonte de árvores se fendeu
para deixar entrar a morte.
e os seus dedos na curva de um nevoeiro
pousados sobre a minha testa.
como quem conforta um filho.
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