um estômago reclama
pára que te aleijas
e eu penso
faz muito tempo que não ouço
as voz das coisas.
uma forma de entender isto tudo
era simular de novo a corda latejante
queimando o pescoço em dois
em nós dois
a ferida abrindo ao morto
à mão do morto
o rio sombrio das palavras.
também elas abrem brechas
e dentro das brechas descobrem
o ar oblíquo do vazio.
esgotados os ácidos
sobra um corpo sem estômago
planando nas ruas como num rio
para o destino cumprido e para o dia findo.
esgotam-se as conversas num café
olha-se a rua. a tarde demora-se mais do que devia.
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