e do mundo que há-de vir
das mitologias e dos factos:
sujeito n.º1:
casado e itinerante
com filhos
olha o corpo infinito do horizonte
não sem a mão por debaixo das calças.
sujeito n.º2:
encontrou a inspiração na matéria fecal
e rochosa. viemos do pó voltamos
a pé. tu es petrus. tu es petra. idem idem.
mudam as moscas.
sucumbe a viroses várias.
sujeito n.º3:
do livro das revelações
o mais ignóbil
e por isso o mais sublime.
esquarteja três com as próprias unhas
de seis meses em gestação.
tinha vida profissional estável
carro cão e família
mas abdicou de tudo isso ante o chamamento
da latrina.
cenário:
apocalíptico q.b.
não demasiado caprichoso nos apetrechos
de mãos dadas com o regime e com o escol
diverso mas não saturado
averso ao sentimentalismo das cores frouxas e das mortes em catadupa.
que sirva de lição ao espectador.
adereço (fora de cena):
flor de lapela
digna de apartes
que ecoe ao fundo
que mutile o olhar
mas pouco.
[terminus]
constrangimento
não soam aplausos
os espectadores abandonam a sala
é de dia ainda lá fora
(passou-se um dia na verdade)
cada um segue rigorosamente a sua sombra
marido/filho/avô morto na guerra chega a casa
senta-se à mesa
comida quente
o sol brilha na parede de azulejos
por onde penetra um extenso frio.
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