forma de dizer
a noite
desmembrada no silêncio curvo das árvores
onde o brilho dos aviões colide
com o passo metronómico da tua
forma de andar
hesitante. um destino sobra
nesta sexta nocturna
para os cometas e há
quem repare em tudo. eles
lá do longe desenhando a múltipla
sensação do minério astral
mergulhando na retina pálida
adormecida sob os teus dentes. um olho fende
um olho de frente.
grita-lhe um segredo às avessas na rua
que pariu um subúrbio pela cauda do tempo.
antes que te levem a vida
forma de cumprir
o medo acumulado nos ombros durante anos
assalta-lhes o rosto com o teu rosto
de frente sob a luz
mais velha e doente.
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