sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o que se esconde por detrás do marmeleiro de victor erice?

a referência ao filme já está.
venha a referência ao poeta
constructo primordial do poema
ser hábil de agilidade mental ímpar
sabedor da boa piada do bom beicinho
do bom licor quando muito do bom vinho
e acima de tudo um aglutinador
dos seus próprios olhos
mil e uma vez cerrados enquanto é dia
cerrados frente a cada objecto
a cada pulsão de luz sobre cada objecto.
e quando à noite chega a casa
a aranha sem lugar onde habitar nos seus cabelos
é quando mais sofre a lentidão do espaço
o cansaço do chão seco e resiliente
o abraço de um colchão mole e sujo de si
poeta às avessas com o tempo
com a locomoção das palavras
com a sentença das árvores que lhe batem no quinto
andar para o saguão desesperado de um milagre.
o feitio lilás que desencanta das horas frias de sol poente
é esse o seu feixe único de tralha no fundo dos bolsos.
é um preguiçoso. e gaba-se
tem muito respeitinho e até é bom rapaz.
às vezes cala-se e aí
é como se o pergaminho do mundo
descansasse aberto e límpido.

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