domingo, 16 de novembro de 2014

deixa-me aos poucos sentir a perturbação da casa
quando acordo de manhã e ainda é bem cedo
e não tenho sono e só se respira um azul nítido
rasante na tua boca.

abro devagar os olhos
tento seguir o fio ondeante da poesia
e acabo contra o muro. sempre.

ainda há muito a dizer
ainda há dias dizia eu
chovia como se fosse
o tempo último dos crentes
e ainda há dias dizia eu
um estranho som entrou pela janela
e veio habitar na ferida imensa
que o meu peito cumpre.
um estilhaço de espelho abriu-me
bem no centro da vontade
uma luz desmaiada
um castanho de casa habitada
um já são sete e acendemos o candeeiro.

bréu
a horta o jardim o idiota do vizinho
descansam em bréu.
e tudo isto era manhã
e tudo isto era a minha mão na tua
cosendo a manhã aos olhos
cosendo as mãos à manhã
e os olhos noves fora nada.
não são meus.
não são suficientemente meus.


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