enquanto isso havemos de ser felizes
a vida não dada as mãos sim
ter inspiração nenhuma
acabar de cama e os pés no primeiro
sítio em que nascemos de facto
porque enquanto isso haverão
rastos da saliva dos dias indicando
as mãos sim apontando um
depois o outro algures
encontro falhado dos milagres
e no entanto a estação
sucedendo-se a outra estação
abertas as mãos sim
tão já secura e sem dedos
vivemos e até houve um quarto alugado
dias cheios jornais e empregos
por isso a vida sim não esta não dada
as mãos no entanto outra coisa
apenas frias e dentro longe
como se tudo isto a certeza de um rasto
atrás dele um fim e um destino empurrando
em dentes cerrados este janeiro num
vai e que te fodas que não perdoa
não sem antes as mãos
a vida não a vida veio
querem-me dizer esteve aqui já saiu
e eu que faço com isto
filho morto nas mãos ou carcaça
por enquanto nada disto e entretanto
tudo isto passa.
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