a arte de levitar fogos
florestais carpidores de
cônjuges mortos
os eternos
de mãos dadas quando cai
dentro deles
a casa o túmulo
com três quartos e varanda
para dedos empestados numa trança
a eterna
fica-se a saber no obituário
há um monte em chamas
lá dentro
houve quem voasse longe
sobra só o peso dos beijos
para marcar o lugar
um aroma a defuntos
sob a buganvília um assunto
pendente o queixo aberto ao fotógrafo
o verão passado em cascata
mas já nem esse peso
se voou se voou
a casa levitada no fogo
a falta de molduras
fazendo horror muito grande
não haver quem aqui visse sequer
arder fogo algum
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