Ó Ísis, deusa amada,
rebenta lacustres veios a este teu fiel
pecador em semente.
Ó Ísis, alheio mundo
de eflúvios femininos,
dá o seio com que benzeste
Hórus e os profetas
da natureza a este teu fiel
ente das horas perdido.
Sede, porém, de ti ó Ísis
amada, não mais
do que sede do destino
e do haver dos dias.
Se a morte ainda te cura
deusa, os lamentos de Osíris,
dá-me desse pão de Tebas,
águas do Nilo profundo.
Ao persignar vagaroso da tarde,
quando findo te contemplo
no amamentar do falcão adormecido
e penso, deusa, o quão trágico
é o apelido humano
e a carne profana do vazio,
comparo teus traços divinos
à seiva escorrida dos céus.
A verdade telúrica que nos preenche
sem de nós nos conhecermos,
és tu, deusa mãe,
das horas soltas e do ventre tardio.
[sopra a brisa do sul
pelo sol escuro que se põe
nosso velar em rosto
fúria calma do eterno
ou repouso tenso
rubor primevo do homem
em querer amortalhado da carne
ancestral lembrança e esquecida
que nos deu da fome a do vazio.]
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