Sei, pois, que o teu rosto
tem a constância fugaz de um sol de inverno,
o lado claro que não retorna cedo,
a face oculta no seu espectro de gelo,
o limbo de sortes nulas em contemplação.
Por isso não te quero
como coisa, nem como espírito.
Talvez o retrato vazio dos teus olhos
me baste ao tempero escuro da carne.
Se fores móvel de museu prematuro
na suspensão vítrea das horas,
quem não te tecerá helénicas odes
no refrear de um amor puro?
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