domingo, 22 de junho de 2014

hei-de levar comigo rosas em cabelo
a incerteza de um dia feito do teu cheiro
de abandono. a querela das alvoradas
numa forma tua de ser sempre noite
antes de um abraço antes de um tom
de uma forma de forçar a morte
quando calas a dor de um século
sem som. ficamos sempre na linha
metódica da palavra não dita.

resta-nos a forma dos divãs
enrolada ao corpo. os dias cumpridos
nos passeios de fecho de loja
de feriado municipal nas ruas
de corpo aberto ao sol das dez na varanda.

havemos de ansiar uma sentença
saber o nosso nome por fim quando mortos.
porém hoje só a uma enorme vontade
de não te querer. de ter um dia
de ossos dolorosos entre os lençóis
colados à estranheza
do idioma comum das horas.

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