tudo isto é só uma tentativa
e eu hei-de ficar à porta
a lamentar o café a lembrar
as pernas dos dias que passam
nem vestígio da veia mais densa
dentro dos corpos
apenas o teu copo outra maré
outro riso noutra mesa
outra granada posta nos meus dedos
a esperar a minha manhã de cremação. hei-de
regressar a esse dia
uma tabuleta sobre a alma
dos nados-mortos. teus jardins de carne
ao vento. um sussurro da dormência
que foi. já não vem de novo
o recitativo secco a lembrança
de monsieur de blancrocher
nos meus braços ah miséria humana
entorpecimento de (e voltamos!) lindas e fracas pernas
pelas escadas abaixo falham-me os joelhos
falham-me os teus peitos a minhas mãos
de repente sem osso sem caroço no chão
eu todo chão falho e bom ali sempre
debaixo de nós. só lhe senti o beijo
já a cabeça explodia em flores
ornatos no clavicórdio couperin às sextas
meu divagar clandestino para a província
terra de dentro terra por dentro
que digo sou o parvo inútil
comparo a careca ao armário dos poetas
a gente cá se entende entre apalpões
e a mão de deus há-de ser sempre invisível nesta solidão.
(...)
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