domingo, 10 de maio de 2015

ou levarei coberto o rosto tisnado
como sorrindo o crime da inutilidade
foi preciso isto para chegar aqui
ponto nenhum equidistante só de si
algures no mar o meu braço dizendo
foi dar a alma a um outro demo
foi falar depressa descansar menos as dores
rir só de si mesmo o mundo não adianta
creio mesmo nunca
e de que serve o que nem se diz
perguntava como quem uma resposta já
e de que serve coberto o rosto tisnado
para isto para isto
para levar dentro do rosto um lugar menos cheio
algum furto alguma água algum espaço
só um quanto baste
para amarelecer a folha única
que não escrevo

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