segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

conta-se uma história
de trás para a frente
e dizes-me é o teu cabelo
é o teu rosto que ficou
do avesso e pressinto nesse
inquieto tremor de lábio
de meia à meia a meias
luzes que eu sou apenas
o roçar insatisfeito dos caminhos
sob os pés as auroras
sob as auroras um tempo sem
roçares de caminhos e depois calos
calo-me antes de uma solidão
quando a pressinto ainda no ar como
o cheiro do mar antes da tempestade como
o cheiro do mar antes de morrer
também é bom começar de novo um episódio
de um agosto de praia que nunca se viveu
mas prefiro uma mentira
que só tenha um sol e é o teu
o vulto que ainda ontem pressenti entre os carreiros
as encruzilhadas matam-me
a ti nada disto te afecta eu sei
mas ainda sobra tempo para ficarmos
entre o chá frio e os dedos cruzados da infelicidade.
ainda sobra tempo e entretanto não mudámos.
um suicídio de comboios
e chamam-lhe amor
desculpa choque frontal.
não desculpes
era um apenas um espelho
contra um espelho.

e talvez nem fizesse sol.


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