era o tempo das tempestades
mas tu ficavas sempre à janela
com o rosto embutido na trevas
sem forma
para que fosse eterno
o ar pesado da humidade
já a roer os ossos e a curva das mãos
chamando
um sofrimento de piano frio
um grito a rasgar o tecido das arestas
das cortinas do líquido frémito de corpo
febril a dançar no espaço da queda
da fúria acalmada das palavras mornas
entre os teus dedos.
não fomos sempre
a semente de um engano
fomos também o transpirar de um dia
cumprido
o pranto demoníaco das paredes da casa velha
as nossas mãos nessa corrente
os nossos olhos recortados
na cegueira inútil da pedra.
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