é na vontade crescente
de ser noite
que te lembro as mãos.
as minhas
- num outro tempo -
agora carne alheia futura
fio límpido de uma lembrança em
espelho côncavo.
sublimo a antecipação deste silêncio que cresce
no debruçar-se lânguido das janelas
sobre a via respiratória de um
afastamento.
- num outro dia -
aquele em que
vieram as palavras
houve uma morte secreta sem semelhante.
elas
as palavras
ficaram sob uma ombreira de porta despida
e um insecto na ferocidade da prata
zuniu-lhes o precipício
rente à boca
justo à boca.
cumpriu-se distante
talvez próximo daquele hiato profundo
de mundo anterior que guardamos
nas mãos uns dos outros
um escasso e nervoso espasmo de aurora
sem espectador.
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