podíamos ser
lentamente
um enxame sulfuroso
em abraço simétrico
uma fúria e um cheiro nauseabundo
tudo num só aperto
tão pouco comovido tão pouco
ele só
ele
como a porta que abre por último
o silêncio irreparável da noite
a lâmina de uma ausência
crescida bem no centro do corpo.
podíamos ser
no fim
uma ordem desmesurada de partos
em luz e em riste
das coisas salientes das coisas.
pretéritos
de um compasso anterior
de um engano de um
gole sôfrego
de ar submerso.
no fim
a beleza etérea
de um espasmo.
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