há tanto tempo se carrega
porém
o peso concentrado da dissonância
num latejar de têmpora fora do tempo
num estalar de língua frouxo e rançoso
sempre com
a derrota a servir-nos de travesseiro
e um sistema solar de equinócios mudos
expectantes pelo nosso passo inconcreto
a esboroar de tinta plástica
a curiosidade decomposta dos dias
aquilo que te disse
foi certamente o meu mais correcto sentido
de fuga para o interior
das asas pueris das aves mortas
em primaveras mal chocadas paridas e abandonadas
aos ninhos esburacados.
sinto que sofro da coesão parcelar
das agulhas que se escorrem pelo rosto
e nos falam de um passado neutro sem cores
de olheiras e de sentido findo.
faço o mínimo barulho possível
é de noite e faço o mínimo som
para que o meu lugar de suor
nesta cama se evapore e se cale
e não conte de mim mais do que
o traço desfocado de um mês passado
num ano qualquer passado
quando um comboio explodiu sem razão
bem no interior de um país adulto
que tinha partido entre lenços ensopados
para uma guerra nunca sua.
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