porque temos demasiadas vezes aquele pensamento
como um jeito arqueado de costas
um murmurar de canção nenhuma na outra divisão
um silêncio de que cumpriremos cumpriremos
mas vem um dia outro e não. simplesmente não.
quem me olha assim e vê
a figura desfigurada do caminhante
roto e cego e
nu se não o vejo
perdido num quintalejo de espinhos
como pálpebra sua. propriedade defunta.
espalhado ardor de tardes em fecho corrido
durante agostos só de secura.
a minha sílaba fundida com o crepitar pagão
de uma estrada sem percurso.
um beijo na animalidade sincera das amoras
prenhes ainda antes de o mundo se moldar
à carne dos que vagueiam.
mas sei que a minha morada é certa
sem noção de hoje ser sábado e não haver
tanto pé para abrir estrada. é aquele
recôndito canto talvez cinzento
num nó de garganta de dedos de cotovelo
onde antes olhos.
um corpo nu vale isso
tapando a cara ao ardor dos crimes em espera
dos outros
vale isso. um cheiro de cremação anunciada.
varrendo os lábios. a incisão do desejo
três nós abaixo.
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