é saber que foi escrita demasiada
que só calar é já isso
que no fundo não há nada que se escreva
que não mude e morra
disse:
aos pontapés também eu quis
um desnorte a extrema unção
as costas uma carga montada
para o desespero
levar pancada desta gente toda
odiar mais para ser mais inocente
e ascender pelas frestas
flutuar o peso aos tombos porque
reparo:
a existir o sacro
é o aqui dentro onde
o cúmplice e o nada
- súbito o poema ferve e redunda
nisto:
a boca serve para sorver
com gosto para se lhe ouvir
com o silêncio circular profundo o
ar nos tubos.
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