as mãos
adereço síncrono do corpo
procurando debaixo das roupas
prometendo debaixo da pele
um limite uma falha
nos apetrechos dos afectos
o sentido ínvio do resto
as mãos não são mãos apenas
unhas raspando o crânio quieto
da terra
um silêncio percutido rente à cara
a unha do silêncio em brecha
amante dentro dos edifícios inabitados
no silêncio das madrugadas
as mãos dadas até ao corte
descubro as mãos
contra a luz as minhas mãos
não são minhas apenas
a pele que lhes emprestaste
o rasto iníquo do teu calor
uma mancha ainda a rua um perfume
secretamente o som díficil de uma veia
bebendo a custo
o êmbolo deslizante da pulsação.
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