terça-feira, 14 de abril de 2015

um dia chamar-me-ei vento
coisa nenhuma ao entardecer
aí nesse espaço podes vir
roubar a voz permanente
eu um chão sentado para que venhas
e leves o que resta dos meus dentes.

tão triste escrever mal
assim

abrir a frecha do som
pela dobra medíocre

um dia não mais te ver
aí um ponto fundido em dor agulha
para saber que dura pouco
este esquartejar

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sozinho o bulício
abrir a perna fechar o estore
ler rente à pele
que emanamos a peste

uma cinza despudorada
enquanto durmo
odeio servir de língua à pátria
e a cabeça em jarro partido um soluço

dizia suplicio
sozinho o

martírio de rojo aos tapetes
escrevo-te para que me esqueças

reforço
o contacto das mãos
sub mesa em erecção
que desperdício

ou falar-te do quanto penso
nos pormenores
outros vincos outras luzes
rápidas palavras para o vazio

tudo isso cansa
não te amar cansa sobretudo
a roupa peganhenta no acto

ao copo o lábio
o triste é ser fodido
e dizê-lo é já um assento quente em sete rios

o real está aqui para desmenti-lo
quer sova deixemos
o rosto intacto
para recebermos todas as manhãs
que ainda nos sobram

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 não pensem que acaba aqui
bonito e rechonchudo
isto isto coio abjecto corpo rançoso
esta poesia
isto de ser merda
seus merdas
(e isto era desnecessário
olha a moral:
Não o é toda a poesia?).

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Agora findo
Assim eu mais triste
Como um desisto.
Vim para a fome.
Disseram espere
Vem aí Quem lha pegue.

E assim dormi.

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