terça-feira, 1 de abril de 2014

caíram-me os olhos ao loreto

a mão
deixada abandonada numa vitrina
de alfarrábio com ódio

os lábios
incinerados na aspersão dionísica do cafés

mas foi o que deus quis
e dou-me por mim já
sem rosto
às voltas como quem
traz a custo o susto
do calhariz

e alguém repete
guarda o mosto
num entre-dentes
a parede sussurra o côncavo
crasso minério

mas cruzo-me com o cão de cabeceira
palmilhando a calçada inteira
de um teu não
me querer de sexta-feira

pobre vil bêbedo abandonado às vésperas
de um dia gigante e
ainda tão longe da sé
só se ouve o grito agudo da ribeira

chama-te um corno
a crescer nas marés. sente-lo
morno entre as pernas. o quê
a fricção de uns teus pés

mas juizinho na precocidade
a vida vem sempre antes de nós
quando dás por ti
olhe ainda agora passou um 28 para cima
e só lhe sentes o febril flamejar na perna do carril

a sereia metálica virando a esquina
dando o cu aos medos
oh rapaz o ócio vira mães pais avós penedos
distantes rochas sobrenaturais
rompendo a carne dos fumos
cumprimentando os sóis muitos ainda por vir
os só já passados. o teu rosto
maquinal

a exprimir negligente
o amargo dente criminoso
sibilante ordinário bem-me-quer lastimoso
crente extraordinário da receita irrepetível
do aroma do trema.

sai a mão da montra
debaixo de um manto de pés enjaneirados
vem estender-se ao filho que lhe dê
nos anéis o labiozito inocente rechonchudo
endinheirado um beijo triste e doente
que o patriarca abençoa com o hissopo
outra forma seja essa de se dizer do cuspo
a chama poética que brota do gargalo do mundo
engasga-nos as manhãs em arranques de traqueia
vem servir a carne jovem
na dissolução de uma diarreia
e nós à beira dos caminhos
com um pé na cama ainda a contemplar
o segredo dos vincos todos até os mais imersos
calamos uma doidice de domingo
uma ponte sobre um jardim de cardos
uma janela fracturada a lírios
uma pistola furando a tripa da lira
uma boca calada na sofreguidão transbordante do rio.



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