sexta-feira, 11 de abril de 2014

ele que diz:
canto a perseguição dos faróis
a tinha inflamada a principiar a carne aberta
o acerto de contas com a penugem evanescente
da morte ridícula abraçada ao estratosférico
amor barroco das violações amedrontadas

uma mão na boca
remete para um som novo
mudaram-lhe as cordas
o sangue também algo dentro
efervesce. não me fodam
é ampla misericódia clamada
aos altares aéreos dos etanóis
sei bem que sim
que também seremos rostos do mármore
revolvido das raízes e enquanto isso
cá bem dentro
a loura dissolução submissa
ataca-nos o corte cego ataviado
a voluta negra do teu pulmão saliente
palpitante sob o sufoco da talha dourada
fende perto bem perto
mas que queres que eu faça
também me custa cuspir-te no olho
furar-te os sorrisos de viés
ornar-te a regra majestática do vício
com o bordão insistente dos meus pés.

ele que canta:
vamos pôr-nos todos numa espécie de
caralho mais velho.
ai que bem cedo o disse e assim se foi
voz de ventania de domingo.
não mais cá chora a humidade rançosa das lamúrias.
de barriga cheia
verso iníquo para dizer o que ao vulgo lato obriga
de papo para o ar
corramos a cortina de nuvens
agora de fora o cinto a cintura a carne o estômago o almoço
desembainhemos ao longo dos divãs
a matéria originária da nossa submersão.

o descanso
que paz meu deus que paz
traz-me outras lágrimas estas não me servem
talvez também o jornal e um outro dia
este cheira-me que me vai dar diarreia.

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