sexta-feira, 25 de abril de 2014

aos dias que sofrem do reflexo tardio das árvores de fruto dos logradouros

a tarde estática ajuda-te a crer
a sinfonia dos limoeiros
- e isto soa bem digam o que disserem -
e acredito que morro eternamente
a morte de todos os dias
a mais sã e mais pura
- mas que digo minto cuspo sujo esfrego amo -
o corpo é o teu linho meu linho nosso linho
azul no reflexo da uva molestada
- canta nos meus lábios a profusão negra da aurora -
um êxtase não ejaculado
foi essa a minha espera ante a flor incendiada
- que beijos que beijos o sol diuturno mas hoje só hoje que beijos -
de uma rajada escrevo a mentira
a irmandade dos corpos unidos na sua junção mais concêntrica
ah fluído do limoeiro
agora o aroma doce abre gretas nos lábios
a delícia das lâminas abre espaços a lágrimas frouxas
- sou tão de medo tão de medo tão de medo -
se choro é porque te amo sob a luz de uma sexta-feira
e amo a letra prensada no teu rosto
e amo a carne branca da tua saliva
a tua voz crente dos hemisférios
das faces negras das luas da saliência dos corpos apertados contra
a linha do meu

do meu

do meu
tão antigo pudor de palavras anseio de bocas jorrar silente na noite na semântica de
um verso.

não hei-de parir nunca a tua
autêntica face pristina na madrugada contra os lençóis submersos

e ainda bem.
que a flor desabroche a concavidade abismal do teu peito
e eu já esteja sorvendo a terra que te alimenta
o odor rarefeito.

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