foi durante
o meu último retiro em Avestruz-a-lém
que mirei Gioconda
inocência das inocências
pietá debruada a rosas
carmim sobre os laranjais em flor
doce e porca
desnuda
ainda mal parida do seu último aborto
um tumor
tudo begnigno tudo begnino
a quem apelidou de inácio
como o santo
que a tirou da sarjeta
a carícias de bisturi e malvasia.
um lanche com ela
no recinto fechado do nosso cós
e foi suficiente para lhe explicar
que amena cavaqueira significa
bom tempo se não chover e parlapié de ervas daninhas
ela riu e disse ainda redonda tão já só rotunda
ai que você até tem graça.
(entre os dentes entre as pernas
um pedacinho verde que a natureza instiga
uma lisonja de espinafre mal deglutido
uma mãozinha suada e inábil
a palitar as miudezas.)
obturei-lhe um venha comigo
mas perdi o rolo
porém passado todo este tempo venal
da reencarnação espasmódica dos incensos em Avestruz-a-lém
que é quando morre o senhor
morte santa dizem eu digo é outro rissol e a conta se faz favor
num arroto encantado (afinal era de camarão e eu estava certo)
lembro que Gioconda só tinha de interessante uma marreca
escondida entre as duas mãos
daí sorrir sempre com ar de quem guarda o segredo dos sangues dos arrozes de cabidela.
sempre soube mais de mim do que eu dela
e isso fascinava-me mas cortava-me a tesão.
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