como se esta mão
esfera armadilhada
os dedos em garra
prendesse o teu pescoço
tu um terraço e a roupa
a estalar por dentro
dobrando um sol branco
e um linho morno
a tua pele presa às grades
os teus dedos armadilhados
nos meus uma trança solta
somos vento e descemos
a gravidade a latejar-te o colo
e gritas a manhã nos teus brônquios
o peso da água na roupa
ainda não hoje não
um sol ténue tu do outro lado
onde sobra um lago enorme
e o teu cheiro na roupa violenta-
mente um nome estalo na cara
contra a parede no terraço
o prédio um braço e outro prédio
para te ver num sítio onde não há
a tosse o sangue e o ferro na boca
as costas da engomadeira as tuas mãos
finas lanças rasgando a roupa
armadilhada contra o peito e negra
suja de tanto tempo onde
um almoço e saio tarde
como se tivesse pressa
não tenho e tu um lençol ao meio dia
o terraço deserto.
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