quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

mescalina na menina

come a pasta dentífrica pequena
pérola ou o tamanho dos dedos
em noz e súbito a garganta cheia no goto
engasgado às avessas come-se a si

assim abre-se espreme-se engole-se
deixa-se verter sobre a nódoa na roupa escura
besunta-se na cara caso lua ou vermelhidão
e deixa o número junto às calças

como quem conversa a pequena
noite vai de alças e mostra ombros
em peito singela mas de recheio neutro
sabemos que nos rouba a pipa

digo o coração essa enchente de gás butano
desconsiderando a permanência de algum
vinco ou lassidão arroxeada e umas areias
pouco grossas junto aos rins poucas mãos

para lhe dar altiva a que come
a noite toda só olhos esgazeados
a espremer a pista de dança e leva
três de encomenda o júri decide-a boa

santa porque hoje ainda faz aquele tempo
de quarentena e quem sai come
e quem sai esfrega sal nos olhos
e quem sai tem  pão de manobra na boca.

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