somos dois equinócios
a beber das pulsações não mensuráveis
do estio
dois hemisférios
a esconder nas sombras dos carreiros
o nome das palavras
acostumados a tê-las
na margem diáfana
feito lençol do entardecer
película silvestre pousada sobre os olhos
rasto de saliva brilhante
que se tornou lago
e que segregou o nosso retrato ambíguo.
do outro lado és tu
e o mesmo aperto no sobrolho
a mesma inclinação natural para o vazio
o mesmo tédio de primaveras.
e nesse tremor súbito
encontro a mesma busca.
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