não te sinto o escorrer
de encontro
ao chão
dos cabelos
ou
a sílaba pura a alagar
por inteiro
a margem espaçada dos meus dedos.
não te fixo
lápis embebido na bílis enigmática
dos horizontes sem fio-de-prumo.
não te conheço
carnação rósea de tempestade
sangue aguado dos pastos serenos
da permanência.
tudo o que me és
tem o sabor do indizível.
tudo o que me tragas
da boca em forma de barco caminhante de marés de agosto vazias
tem encerrado a punhaladas de jasmim
um nó de estômago mais redondo
uma veia de olho mais pulsante.
roubas-me sem pudor
o travo escuro das feridas lambidas
para deixares
a ser
presença
o azul de madrugada fria
a retalhar devagar os olhos
com o signo da urgência.
//
chamo-te
margem
para a queda
o estender de corda até
ao precipício.
encerro-te
a volta inteira
duas
três vezes
no sentido mutante das íris
ao pescoço unido em pulsos
este grande imenso todo
um só
nó.
terminação dos pontos
degrau
filamento de sombra.
nomeio-te
(e nasce junto ao céu da boca a nebulosa metálica dos meus vitrais de pó)
o indizível
o interminável
o inominável.
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