quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Drones (I)

não te sinto o escorrer
de encontro
                   ao chão
             dos cabelos

ou

a sílaba pura a alagar
por inteiro
a margem espaçada dos meus dedos.

não te fixo
lápis embebido na bílis enigmática
dos horizontes sem fio-de-prumo.
não te conheço
carnação rósea de tempestade
sangue aguado dos pastos serenos
da permanência.

tudo o que me és
tem o sabor do indizível.
tudo o que me tragas
da boca em forma de barco caminhante de marés de agosto vazias
tem encerrado a punhaladas de jasmim
um nó de estômago mais redondo
uma veia de olho mais pulsante.

roubas-me sem pudor
o travo escuro das feridas lambidas
para deixares
a ser
            presença
o azul de madrugada fria
a retalhar devagar os olhos
com o signo da urgência.

//

chamo-te
margem
             para a queda
o estender de corda até
ao precipício.
encerro-te
a volta inteira
duas
      três vezes
      no sentido mutante das íris
      ao pescoço unido em pulsos
este grande imenso todo
                            um só
nó.

terminação dos pontos
degrau
filamento de sombra.

nomeio-te
(e nasce junto ao céu da boca a nebulosa metálica dos meus vitrais de pó)
o indizível
o interminável
o inominável.

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